24 de abril de 2008

ABORDAGEM CLÁSSICA DA ADMINISTRAÇÃO

1. DESDOBRAMENTO DA ABORDAGEM CLÁSSICA
Origens da abordagem Clássica: Conseqüências da Revolução Industrial e podem ser resumidas de dois fatos genéricos:
· O crescimento acelerado e desorganizado das empresas, resultando uma gradativa complexidade em sua administração e exigindo uma abordagem científica em substituição ao empirismo e a improvisação.
· A necessidade de aumentar a eficiência e a competência das organizações – maior rendimento possível dos recursos e fazer face à concorrência (competição).

2. ADMINISTRAÇÃO CIENTÍFICA
A abordagem básica da Escola de administração Científica se baseia na ênfase colocada nas tarefas.
O nome Administração Científica é devido à tentativa de aplicação dos métodos da ciência aos problemas da Administração a fim de aumentar a eficiência industrial.
Essa escola foi começada no início do século passado (1903) pelo engenheiro Frederick Winslow Taylor, considerado o fundador da Administração Científica.

2.1. A OBRA DE TAYLOR
Frederick Winslow Taylor (1856-1915) nasceu na Filadélfia, EUA e formou-se engenheiro.
Na época, vigorava o sistema de pagamento por peça ou por tarefa.
Os patrões procuravam ganhar o máximo na hora de fixar o preço da tarefa, enquanto os operários reduziam o ritmo de produção.
Isso levou Taylor a estudar o problema de produção para tentar uma solução para ambos (patrão x empregado).

2.1.1. Primeiro período de Taylor
Publicação do livro Shop Management (1903) sobre s técnicas de racionalização do trabalho dos operários – estudo de tempos e movimentos (Motion-time Study).
Taylor analisou as tarefas de cada operário e verificou que, em média, eles produziam menos do que eram capazes.
Conclusão: criar condições de pagar mais ao operário que produz mais.

2.1.1.1. Essência do livro de Taylor:
O objetivo da Administração é pagar salários melhores e reduzir custos unitários de produção;
Para isso, a Administração deve aplicar métodos científicos de pesquisa e experimentos para formular princípios e estabelecer processos padronizados que permitam o controle das operações fabris;
Os empregados devem ser cientificamente selecionados e colocados em seus postos com condições de trabalho adequadas para que as normas possam ser cumpridas;
Os empregados devem ser cientificamente treinados para aperfeiçoar suas aptidões e executar uma tarefa para que a produção normal seja cumprida;
A Administração precisa criar uma atmosfera de íntima e cordial cooperação com os trabalhadores para garantir a permanência desse ambiente psicológico.

2.1.2. Segundo período de Taylor
Corresponde à publicação do seu livro The Principles of Scientific Management (1911) – Administração Científica – 75% de análise e 25% de bom senso, concluindo que a racionalização do trabalho operário deveria ser acompanhada de uma estruturação geral para tornar coerente a aplicação dos seus princípios na empresa como um todo.

2.1.3. Os três males da indústria da época, segundo Taylor:
Vadiagem sistemática dos operários, para evitar a redução da tarifa dos salários pela gerência, devido:
O engano dos trabalhadores de que o maior rendimento do homem e da máquina provoca desemprego;
O sistema defeituoso de administração que força os operários à ociosidade no trabalho a fim de proteger seus interesses pessoais.
Os métodos empíricos deficientes utilizados nas empresas, com os quais o operário desperdiça grande parte de seu esforço e tempo.
Desconhecimento pela gerencia das rotinas de trabalho e do tempo necessário para sua realização.
Falta de uniformidade das técnicas e os métodos de trabalho.

1.2. A ADMINISTRAÇÃO COMO CIÊNCIA

Para Taylor, a organização e a administração devem ser tratadas cientificamente e não empiricamente. A improvisação deve ceder lugar ao planejamento e o empirismo, à ciência: Ciência da Administração.
Como pioneiro, o mérito de Taylor reside em sua contribuição para encarar sistematicamente o estudo da organização.
Taylor foi pioneiro em fazer uma análise completa do trabalho, incluindo:
· Tempos e movimentos;
· Padrões de execução;
· Treinamento de operários;
· Especialização do pessoal, inclusive o da direção.
· Os elementos da Administração Científica nos padrões de produção são:
· Padronização de máquinas e ferramentas;
· Métodos e rotinas para execução de tarefas e
· Prêmios de produção para incentivar a produtividade.

1.3. A ORGANIZAÇÃO RACIONAL DO TRABALHO
Taylor observou que os operários aprendiam a maneira de executar as tarefas do trabalho por meio de observação dos companheiros vizinhos.
Notou que isso levava diferentes métodos para fazer a mesma tarefa e uma grande variedade de instrumentos e ferramentas diferentes em cada operação.
Como há sempre um método mais rápido e um instrumento mais adequado que os demais, esses métodos e instrumentos melhores podem ser encontrados e aperfeiçoados por meio de uma análise científica e um acurado estudo de tempos e movimentos, em vez de ficar a critério pessoal de cada operário.
Essa tentativa de substituir métodos empíricos e rudimentares pelos métodos científicos recebeu o nome de Organização Racional do Trabalho (ORT).

1.3.1. Fundamentos da ORT
Análise e do estudo dos tempos e movimentos (layout);
Estudo da fadiga humana (ergonomia);
Divisão do trabalho e especialização do operário (divisão técnica);
Desenho de cargos e de tarefas (descrição de cargos);
Incentivos salariais e prêmios de produção (desempenho);
Conceito de homo economicus (homem econômico);
Condições ambientais de trabalho, como iluminação, conforto etc (higiene no trabalho);
Padronização de métodos e de máquinas (linha de montagem);
Supervisão funcional (controle).
Conceito de homo economicus – homem econômico
“Toda pessoa é concebida como influenciada exclusivamente por recompensas salariais, econômicas e materiais.”
“[...] o homem procura o trabalho não porque gosta dele, mas como um meio de ganhar a vida por meio de salário que o trabalho proporciona.”

1.4. OS PRINCÍPIOS DA ADMINISTRAÇÃO CIENTÍFICA
Princípios da administração científica de Taylor
Princípio do planejamento – substituir a improvisação pela ciência através do planejamento do método de trabalho;
Princípio de preparo – selecionar cientificamente os trabalhadores de acordo com as suas aptidões e prepará-los e treiná-los para produzirem mais e melhor;
Princípio do controle – controlar o trabalho para se certificar de que está sendo executado de acordo com os métodos estabelecidos e segundo o plano previsto;
Princípio da execução – distribuir atribuições e responsabilidades para que a execução do trabalho seja disciplinada.

1.4.1. Princípios de eficiência de Emerson
Traçar um plano bem definido, de acordo com os objetivos;
Estabelecer o predomínio do bom senso;
Oferecer orientação e supervisão competentes;
Manter disciplina;
Impor honestidade nos acordos, ou seja, justiça social no trabalho;
Manter registros precisos, imediatos e adequados;
Oferecer remuneração proporcional ao trabalho;
Fixar normas padronizadas para as condições de trabalho;
Fixar normas padronizadas para trabalho em si;
Fixar normas padronizadas para as operações;
Estabelecer instruções precisas;
Oferecer incentivos ao pessoal para aumentar o rendimento e a eficiência.

1.4.2. Princípios básicos de Ford
Henry Ford (1863-1947) – o mais conhecido dos precursores da Administração Científica - iniciou sua vida como mecânico. Projetou um modelo de carro e em 1899 fundou a Ford Motor Co. Sua idéia: popularizar um produto antes artesanal a destinados a milionários, ou seja, vender carros a preços populares, com assistência técnica garantida, revolucionando a estratégia comercial da época.
Entre 1905 e 1910, Ford promoveu a grande inovação do século XX: a produção em massa - emprego da linha de montagem.

1.4.3. Três aspetos da produção em massa
A progressão do produto através do processo produtivo é planejada, ordenada e contínua;
O trabalho é entregue ao trabalhador em vez de deixá-lo com a iniciativa de ir buscá-lo;
As operações são analisadas em seus elementos constituintes.
Os três princípios adotados por Ford
Princípio da intensificação – diminuição do tempo de duração com a utilização imediata dos equipamentos e matéria-prima e a rápida colocação do produto no mercado;
Princípio de economicidade – reduzir ao mínimo o volume de estoque da matéria-prima em transformação fazendo com que o automóvel fosse pago à empresa antes de vencido o prazo de pagamento dos salários e da matéria-prima adquirida;
Princípio de produtividade – aumentar a capacidade de produção do homem no mesmo período por meio da especialização e da linha de montagem.


1.5. A APRECIAÇAO CRÍTICA DA ADMINISTRAÇÃO CIENTÍFICA

“A obra de Taylor e seus seguidores é susceptível de críticas, que não diminuem o mérito e o galardão de pioneiros e desbravadores da nascente Teoria da Administração.” (CHIAVENATO, 2003, p. 67)
Esse mérito se deu em face à falta de conhecimentos de assuntos administrativos, que foram, a partir de então, sendo sistematizados.

1.5.1. Principais críticas
Mecanicismo da administração Científica – restringindo-se às tarefas e os fatores diretamente relacionados com o cargo e a função do operário;
Superespecialização do operário – preconizada por meio de divisão e subdivisão de toda a operação em seus elementos constitutivos;
Visão microscópica do homem – visualizando cada empregado individualmente e ignorando que o trabalhador é ser humano e social.
Ausência de comprovação científica – criticada por pretender criar uma ciência sem o cuidado de apresentar comprovação científica das suas proposições (não utilização de pesquisas e experimentação científica para comprovar suas teses);
Abordagem incompleta da organização – por limitar-se apenas nos aspectos formais da organização, omitindo a organização informal e os aspectos humanos da organização;
Limitação do campo de aplicação – restrito aos problemas de fábrica, não considerando os demais aspetos da vida da organização;
Abordagem prescritiva e normativa – preocupação em prescrever princípios normativos que devem ser aplicados como receituário em todas as circunstâncias para que o administrador possa ser bem-sucedido;
Abordagem de sistema fechado – visualiza apenas o que acontece dentro da organização sob o ponto de vista de algumas variáveis mais importantes apenas, omitindo-se outras cuja influência não seja bem conhecida no conjunto.

Referência:
CHIAVENATO, I. Introdução à Teoria Geral da Administração. 7. ed. Rio de Janeiro: Elsevier, 2003, pp. 47-77.

Um comentário:

Anônimo disse...

muito lindo seu blog,parabens!!!