quarta-feira, 27 de fevereiro de 2013

'Tribos perigosas': as histórias de guerra de um antropólogo

Como eram de fato os nossos primeiros ancestrais quando deixaram de ser bandos de caçadores-coletores e se tornaram sociedades mais complexas e assentadas? O antropólogo Napoleon A.
 
Como eram de fato os nossos primeiros ancestrais quando deixaram de ser bandos de caçadores-coletores e se tornaram sociedades mais complexas e assentadas? O antropólogo Napoleon A. Chagnon, após 35 anos pesquisando uma população notável – os ianomâmis que habitam a Venezuela e o Brasil – pode ter sido a pessoa que chegou mais perto de responder essa pergunta.
 
O novo livro de Chagnon, "Noble Savages" ("Bons selvagens", em tradução livre), inclui três temas. Primeiro, é uma história de aventura muito bem escrita a respeito de como o antropólogo aprendeu a sobreviver em uma cultura e um ambiente completamente diferentes dos seus, entre aldeias tomadas por um estado de guerra perpétua e onças que seguiam suas trilhas pela selva. Em segundo lugar, descreve como o autor foi compreendendo gradualmente o funcionamento da sociedade ianomâmi, uma questão de grande relevância para a evolução humana recente. Terceiro, narra as agruras que Chagnon vivenciou nas mãos da Associação Americana de Antropologia.

A maioria das tribos estudadas por antropólogos perderam muito de sua cultura e estrutura sob as influências ocidentais. Na década de 1960, quando Chagnon visitou os ianomâmis pela primeira vez, deparou-se com um povo quase que em absoluto estado natural. Suas guerras não tinham sido suprimidas por potências coloniais. Eles estavam isolados havia tanto tempo, longe até mesmo de outras tribos na Amazônia, que sua língua demonstrava ter pouca ou nenhuma relação com qualquer outra. Cerca de 25 mil pessoas que viviam em 250 aldeias, os ianomâmis cultivavam banana, caçavam animais silvestres e invadiam os territórios uns dos outros incessantemente.

Graduado em Engenharia antes de se dedicar à Antropologia, Chagnon estava interessado na mecânica do trabalho dos ianomâmis. Ele percebeu que o parentesco era o que dava coesão às sociedades, o que o motivou a começar a montar a complicada genealogia dos ianomâmis. Isso levou muitos anos, em parte porque mencionar os nomes dos mortos, para os ianomâmis, é um tabu. Quando concluído, o trabalho revelou muitas características importantes da sociedade ianomâmi. Uma das descobertas de Chagnon foi de que os guerreiros que matavam um homem no campo de batalha geravam três vezes mais filhos que os demais.

A sua pesquisa foi publicada na revista Science em 1988, desencadeando uma tempestade entre os antropólogos que acreditavam que a paz, e não a guerra, era o estado natural da existência humana. As descrições de Chagnon a respeito da guerra ianomâmi tinham sido ruins a ponto de ele parecer estar dizendo que a agressão era recompensada e poderia ser herdada.
 
Fonte:http://nytsyn.br.msn.com/cienciaetecnologia/tribos-perigosas-as

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