quarta-feira, 10 de março de 2010


Fascinante é, do amor, a dança.
Tão leve que o pé não alcança
O chão e no ar me lança

Em movimentos serpentinos
Ao som de címbalos cristalinos
Talhados em materiais argentinos.

Rio. Da dança eu tenho o dom.
Deslumbro-te. Mudo a cada tom
Os passos acompanhando o som

Do tambor, como numa embriaguez.
Toco teu peito e sinto a calidez,
O suor desce pela morena tez.

O coração bate. A mão não recua,
No ar parece pluma que flutua
Desce, lenta, sobre a figura nua,


E explorando cada canto vai
Em frente acarinhando e recai
Sobre o ponto que mais me atrai.




Depois de ter teu corpo envolvido
Na volúpia, que é um fino tecido,
Com as tintas do meu prazer colorido,


Permaneço neste desvario que me seduz.
O espelho do meu quarto reproduz
Teu corpo cansado à meia luz,
E sinto que fui Salomé em coleios
Com passos loucos no palco sem receios,
Seduzi-te com a forma dos meus seios.

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