segunda-feira, 12 de outubro de 2009

Esse é o eterno amor da minha vida

...podem parecer sinônimos.

Idéia igual, mas diferente no sentir.

Lembrança é da memória, saudade é da alma.

Muitas lembranças, poucas saudades.

Lembranças surgem com um cheiro,uma música, uma palavra.

Saudade surge sozinha,emerge do fundo do peito onde é guardada com carinho.

Lembrança pode ser boa, mas quando não é,

pode-se afastá-la convocando outra lembrança ou convocando outro pensamento para o lugar, ligando a TV ou lendo o jornal.

Saudade é sempre boa, mesmo quando dói,e não se apaga mesmo que outra pessoa tente ocupar o lugar vazio.

Ela pode coexistir com um novo amor, sem machucá-lo.

Lembrança é de algo real, de um lugar, uma época, uma pessoa.

Saudade pode ser do que não houve, de uma possibilidade,de lábios jamais tocados.

Lembrança pode ser contada, medida, localizada, e com algum esforço,

pode até ser calculada com uma fórmula matemática,

ao gosto dos engenheiros.

Saudade é dos poetas, é pautada em rimas e melodias;

vontade de ver outra pessoa, segundo os poetas,

teria outro nome, seria uma saudade com tempero, eu acho.

Lembrança pode ser sem som, pode não doer.

Saudade jamais é sem som.

Se ela não vier com música de fundo, a gente coloca,

só para ficar mais bonita, mais gostosa de sentir,

para preencher mais a alma vazia.

Lembrança vence a morte,

mas conforma-se com a ausência,

respeita convenções.

Saudade ignora a morte, vence distâncias, barreiras e preconceitos.

Lembrança aceita nosso comando, vai e volta quando queremos.

Saudade é irreverente, independente e auto suficiente.

Gosto mais da saudade!

E você?

Solange Gouvêa

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