quarta-feira, 7 de outubro de 2009

CORPOS UNIDOS
... e me puseste no teu leito,
Com cuidados de amante perfeito.
De desejos minha alma estremece,
O mundo pára, a volúpia cresce.
Cerro os olhos e sinto a tua boca
Em meu ventre qual borboleta
Beijando flores em festa louca,
E a tua destra que meu seio aperta.
Depois, teu corpo ao meu unido,
Explorando os meandros do meu ser interno,
Busca a fonte do prazer com carinho terno,
Penetra suas águas para ser ungido.
É um impudor na minha idade,
Um êxtase devasso que me vence,
Gozo de vibrante ansiedade,
Dar-te este corpo que a mim já não pertence,
E nele fazes estranhos arabescos,
Envolves-me em pecados dantescos,
Como serpe em voluptuosa dança,
Cravas tua semente como se fosse lança.
Maria Hilda de J. Alão






Fascinante é, do amor, a dança.
Tão leve que o pé não alcança
O chão e no ar me lança
Em movimentos serpentinos
Ao som de címbalos cristalinos
Talhados em materiais argentinos.
Rio. Da dança eu tenho o dom.
Deslumbro-te.
Mudo a cada tomOs passos acompanhando o som
Do tambor, como numa embriaguez.
Toco teu peito e sinto a calidez,
O suor desce pela morena tez.
O coração bate. A mão não recua,
No ar parece pluma que flutua
Desce, lenta, sobre a figura nua,
E explorando cada canto vai
Em frente acarinhando e recai
Sobre o ponto que mais me atrai.
Depois de ter teu corpo envolvido
Na volúpia, que é um fino tecido,
Com as tintas do meu prazer colorido,
Permaneço neste desvario que me seduz.
O espelho do meu quarto reproduz
Teu corpo cansado à meia luz,
E sinto que fui Salomé em coleios
Com passos loucos no palco sem receios,
Seduzi-te com a forma dos meus seios.












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