terça-feira, 20 de janeiro de 2009

Tirar o corpo fora

A coragem de assumir, até as ultimas conseqüências, é privilegio de poucos militantes. O normal é tirar o corpo fora quando percebemos que os nossos conselhos e planos não deram o resultado que esperávamos. No entanto a nossa solidariedade, á imitação de Jesus, nos leva a caminhar de cabeça erguida ao lado dos que decidiram lutar.

Caminhar por um trecho de estrada é fácil demais. Para sempre, até o fim da estrada, quando o caminho faz-se duro e obscuro, quando á beira da estrada alguém de tocaia pode esperar-nos para eliminar-nos é mais difícil.
Quem quer ser honesto deve ter força profética de recusar o jogo sujo do compromisso interesseiro e levar á lealdade aos companheiros/as.
A amizade é o valor que se reconhece não ao redor de uma mesa farta ou nos dias de vitórias ou sucessos, mas nos momentos de solidão, de perda e dor.
Quando debaixo de peso da nossa cruz tentamos, desesperadamente, recomeçar o caminho. Jesus, Gand, Madri Tereza e outros Mártires nos ensinaram: o nosso falar seja “sim, sim”, “não, não” - Sempre. Não, sim – não. Ser companheiro/a com os outros. Não retirar a nossa palavra.
Aprenda a pagar a palavra dada, os atos assumidos, as decisões tomadas. Ser honesto é saber assumir corajosamente os fracassos sem por culpa em ninguém.
Assumir os sucessos sem dar merecimento a ninguém. Ser capaz de caminhar com feridas e com saúde nas estradas poeirentas e lameadas do mundo. Assumir a causa social com coerência e compromisso.

Há muita covardia que fere o coração dos fracos e dos pobres. Há muita solidão por causa do abandono dos companheiros/as. Há muito sofrimento, fruto de atitudes não coerente com os próprios compromissos.

Iniciar o caminho juntos é fácil. Termina-lo juntos com valentia e honestidade é fácil. A vida comunitária precisa recuperar a sua transparência de solidariedade humana.
Haverá sempre Pilatos, dispostos a lavar mãos diante do medo de serem envolvidos. Precisamos encontrar Pilatos que sabem dizer. “o que escrevi está escrito”.



Haverá sempre medrosos que, como os discípulos, abandonam Jesus nos momentos difíceis, assim como haverá sempre camaradas e companheros/as que por medo ou covardia denunciaram os próprios companheiros aos poderosos em troca de migalhas ou de poder.


Precisamos de militantes corajosos, assim como Tche Guevara, Josimo, Ir. Doroti, não enfraqueceram a luta ou como João, seguiu de longe a caminhada de Jesus.

Não tirar o corpo fora. Eis o problema da solidariedade, da cumplicidade do companheirismo.

Uma atuação feita de meras conveniências, de busca de satisfações e interesses, será destinada a morrer. Ser honesto é caminhar contra o vento da calúnia, é endurecer o próprio rosto ás palavras falsas e maléficas de quem procura o seu bem-estar.


A metade dos problemas ficam resolvidos ao colocar as coisas na justa posição, expor com clareza e honestidade os fatos apresentado a própria posição que deve ser vivida na coerência e na capacidade de voltar e começar tudo de novo.

Patrício Sciadini

Nenhum comentário: