sexta-feira, 19 de setembro de 2008

Desmatamento

O americano Eric Chivian, Prêmio Nobel da Paz em 1985, criticou o desmatamento da Amazônia brasileira para semear soja e cana-de-açúcar destinadas à produção de biocombustíveis ao pedir à América Latina que não repita os erros cometidos pelos Estados Unidos em relação à energia.Chivian, fundador e diretor do Centro para a Saúde e o Meio Ambiente Global da Escola Médica de Harvard, participou nesta quinta, dia 21, de uma conferência em Bogotá (Colômbia), junto ao ministro do Meio Ambiente colombiano, Juan Lozano, sobre Biodiversidade e Desenvolvimento, na qual chamou a atenção sobre a destruição da Amazônia.- Neste momento, o Brasil está decepando muitas florestas para semear soja e cana-de-açúcar perto da Amazônia e isto vai afetar o clima e o índice pluvial na zona - alertou.Além disso, Chivian indicou que essa grande floresta sul-americana captura o carbono produzido no resto do planeta e, caso continue com sua rápida deterioração, "o mundo perderá um de seus maiores pulmões e o efeito disso será drástico tanto em termos climatológicos como para a agricultura".Chivian, listado em 2007 pela revista Time como uma das 100 pessoas mais influentes do mundo por seus trabalhos de divulgação sobre o cuidado do meio ambiente, se mostrou convencido de que os latino-americanos têm um papel muito importante na proteção da biodiversidade.- A diversidade na América Latina é sem igual, na verdade não encontramos um paralelo no planeta. A Amazônia está neste momento sob um grande risco, já que é uma das maiores e mais ricas florestas úmidas tropicais do mundo e todos devemos lutar para sua conservação - ressaltou.
Fonte: Agência EFEEntry Filed under: INTERNACIONAL, Florestal, Desmatamento-->
Zoneamento fecha fronteira agrícola na Amazônia Legal
Enviar comentário 15 Agosto, 2008 - 10:11h AntonioJunior-->
O mapa do zoneamento econômico-ecológico da Amazônia Legal, em elaboração no governo, reconhece que a quarta parte da região (26%) é ocupada por intensa atividade econômica e não terá mais de recompor 80% da floresta, como prevê o limite legal de desmatamento.Essa área mede 1,3 milhão de quilômetros quadrados e equivale a mais de cinco vezes o tamanho do Estado de São Paulo.Mas o mapa, ao qual a Folha teve acesso, indica mais: que o corte raso chegou ao limite e grandes extensões de terras terão de reordenar a produção, de forma a conter pressões por mais desmatamento. Não há estimativa segura, no entanto, do tamanho da floresta que terá de ser recuperada, o chamado "passivo ambiental"."Independentemente de qualquer outra variável, chegamos ao limite da conversão da vegetação: a fronteira [agrícola] está esgotada", resume Roberto Vizentin, diretor de Zoneamento Territorial do Ministério do Meio Ambiente.Coordenado pela pasta, o zoneamento envolve os governos dos nove Estados da Amazônia, além de 12 outros ministérios. O trabalho deve ser concluído em um ano e só poderá ser revisto dez anos depois.Na semana passada, já foram encaminhados ao presidente Lula os resultados dos estudos de outro zoneamento, que tratará das áreas disponíveis ao cultivo de cana-de-açúcar para a produção de álcool. A expectativa é um freio na expansão da cana na Amazônia. Hoje, a região já responde por 6% da produção nacional de álcool.ConflitosO zoneamento econômico-ecológico expõe o atual estágio do conflito entre a ocupação e a preservação da Amazônia Legal. De acordo com projeções da CNA (Confederação Nacional da Agricultura), o agronegócio ficaria limitado a uma área entre 4% e 10% da Amazônia."Considerando que existam aproximadamente 70 milhões de hectares (700 mil quilômetros quadrados) incorporados à atividade agropecuária, a situação ficaria deficitária no bioma Amazônia", calcula Rodrigo Justus, assessor da CNA."Tem muito espaço ainda para a produção", rebate o ministro Carlos Minc (Meio Ambiente), que defende a recuperação de áreas degradadas pela pecuária e o aumento dos índices de produtividade da região.Minc também contesta a avaliação de que as áreas protegidas seriam espaços fechados à produção: "Teremos mais madeira certificada, mais ecoturismo, mais produção de borracha, castanha e guaraná; é falsa a idéia de que nada se faz nas unidades de conservação".Segundo os dados do Meio Ambiente, as áreas protegidas (unidades de conservação, terras indígenas e de uso militar) ocupam 40% da Amazônia Legal e deverão crescer mais: cerca de 9%. Nessas áreas, é teoricamente proibido desmatar.A extensão das áreas protegidas é motivo de divergência até dentro do governo, assim como os atuais limites de desmatamento. O ministro Mangabeira Unger (Assuntos Estratégicos), coordenador do Plano Amazônia Sustentável, vê exagero em um cálculo da Embrapa (Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária, vinculada ao Ministério da Agricultura) segundo o qual menos de 13% das terras da Amazônia Legal ou menos de 7% da floresta estariam legalmente disponíveis para o agronegócio."Mesmo descontando o exagero deles, o Brasil não estaria apenas no topo do ranking das exigências e das proibições. Haveria um ranking, depois um grande intervalo, e o Brasil estaria no espaço sideral", criticou o ministro, que defende o debate sobre o limite de desmatamento na Amazônia e a extensão das áreas protegidas. Se o zoneamento não enfrentar essas questões, sustenta, pode se transformar em "ficção cartográfica", disse.Por ora, somente dois Estados da Amazônia Legal –Rondônia e Acre– têm aprovados seus zoneamentos. Em Rondônia, o território classificado como Zona 1, onde a atividade econômica mais intensa autoriza reduzir de 80% para 50% a área de floresta a ser recomposta, supera a metade da área do Estado (50,68%).Como o desmatamento alcançou 62% da Zona 1 em Rondônia, os proprietários de terra dessa área se comprometeram a recuperar o equivalente a 12%, sob risco de perderem acesso ao crédito. "Não existe mais condição de desflorestar nada aqui", afirma o secretário de Meio Ambiente do Estado, Cleto Brito.Nas projeções do governo, o tamanho proporcional da Zona 1 em Rondônia será recorde na região, à frente do Maranhão (42%), Tocantins e Mato Grosso (39%), Estados que têm parte de seu território no cerrado.


Por: MARTA SALOMON

fonte: Folha de S.Paulo

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