sexta-feira, 19 de setembro de 2008

Aquecimento global

Pesquisas de opinião realizadas na França indicam que a atitude "eco-responsável", uma tendência já solidificada na Alemanha, espalha-se pelo continente e vai além da substituição de sacolas plásticas por sacos não perecíveis ou carrinhos de compras. O "comportamento cidadão", como vem sendo chamado, parte do princípio de que já é possível trocar produtos nocivos ao ambiente por equivalentes não tão agressivos. A única condição é que tenham preços competitivos e portem selos oficiais de responsabilidade ambiental. São conclusões de sondagens realizadas no país pelos institutos de pesquisas Aegis Média e Ifop .
Para 54% dos consumidores, o desenvolvimento sustentável já é um critério de compra. Destes, 22% consideram produtos não agressivos à natureza uma escolha prioritária. Na França, esse público, ainda limitado, mas em expansão, é composto por administradores, profissionais liberais, intelectuais e idosos, que consideram primordial a preocupação com o futuro do planeta. "Desde 2004, há 30% mais produtos ambientalmente corretos no mercado. Se há progressão de lançamentos, é porque há mercado. Em toda a Europa há um avanço considerável de produtos sustentáveis", diz Patrice Proia, responsável pelo Pólo Ambiental de Afnor, a empresa responsável pelas certificações reconhecidas pelo governo francês (NF Environnement e Éco-Label Européen).
Hoje, 200 empresas têm o direito de usar os selos no país, das quais 65 conquistaram a autorização em 2007 e outras 112 neste ano. Até dezembro, este grupo de grandes companhias deve despejar no mercado europeu o equivalente a 80 milhões de artigos. Na França, o aumento do número de produtos é da ordem de 30% em relação a 2004, quando o acompanhamento estatístico teve início no país. E só não é maior porque há apenas 50 famílias de produtos no mercado, ainda incompleto.
Artigos com um dos selos oficiais, homologados a partir de análises do ciclo de vida e do impacto que causam ao ambiente durante o uso, já compõem, por exemplo, 16% do mercado de tintas para construção civil - que era um vilão ambiental. Produtos à base de papel e defensivos agrícolas também estão entre os mercados mais avançados.
Por outro lado, só 2% entre artigos de limpeza e produtos têxteis são eco-responsáveis. "O consumidor francês passou de um estágio de baixa consciência, até 2003, para uma atitude de forte interesse em 2008. Hoje há um verdadeiro questionamento sobre o que compramos", afirma Catherine Husson-Traoré, diretora-geral da Novethic, empresa especializada em marketing ambientalista.
A consciência ambiental veio acompanhada de novas exigências, entre elas o custo. Para competir, os produtos precisam não só ser menos poluentes, mas ter preço justo. Na França, itens com selo ambiental competem com diferenças de preço irrisórias com rivais sem selo.
Mas as companhias estão traçando estratégias de marketing que não necessariamente condizem com a realidade. "Alguns fabricantes ainda não entenderam o real significado dos critérios ecológicos e apenas exploram o imaginário dos consumidores", explica Catherine. Nos supermercados de Paris, proliferam artigos "bio", sem direito de portar selos oficiais e entre 15% e 20% mais caros.

Por: Andrei Netto
Fonte: Estadão Online

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